Texto para os 2ºs Anos - Comentar e postar no Diário Filosófico
Popularização da Filosofia
Praticamente todos os estudantes tiveram como disciplina escolar a filosofia, mas pouquíssimos continuaram dedicando-se a estes estudos ou desenvolveram alguma profissão ligada ao mundo filosófico. Isto porque há uma tendência pré-conceituada de que filosofia é um tema sem função prática e concreta, que não é importante no nosso mundo materialista moderno. Ledo engano, a filosofia é importantíssima hoje em dia como foi e será no futuro, seja qual for o caminho que nossa civilização tomar, uma vez que se originou, suporta-se e se desenvolve no poder de pensar do ser humano. O filosofar é intrínseco do homem, fazendo parte de sua vida, não podendo ser separado de sua existência.
A filosofia é a essência de todo o nosso pensar e conseqüentemente de nosso agir, não podendo assim estar fora de nosso cotidiano. A reflexão filosófica está presente em todos os atos de decisão que tomamos, mesmo que inconscientemente, mesmo que não percebamos. Qualquer atitude que tomamos é baseada em decisão que por sua vez levou em consideração nosso poder de pensar, refletir, ponderar, ou seja filosofar.
A filosofia surgiu na antiguidade grega e era uma forma de procura de paz interior, posteriormente ficou restrita a iniciados, em universidades. No século passado ganhou as clínicas psiquiátricas com a finalidade de curar os desajustes emocionais. Até então a filosofia vem sendo usada por psiquiatras e psicólogos como exercício de cura de enfermidades mentais, são os chamados filósofos clínicos. Na religião também vemos a filosofia ter seu espaço importantíssimo, utilizada que é para decifrar os caminhos da fé, das crenças e do pensar religioso dos homens. É a filosofia religiosa dando impulso à compreensão do místico, das crenças, da força criadora etc.
Já a necessidade de se entender a complexidade da vida moderna cada vez mais regida pelos reflexos do fenômeno da globalização, tem trazido inquietude mental à milhões de pessoas que são expostas a informações e conceitos que não lhes dizem respeito diretamente e que acabam sendo incorporadas a sua cultura, regendo suas vidas. Isto está trazendo a necessidade de reflexão sobre o cotidiano dos novos tempos, do significado desta vida moderna, surgindo dessa forma campo propício ao ressurgimento da filosofia, mas desta vez para o questionamento filosófico sobre o nosso "modus vivendi", a nossa vida agora. Afinal, o fenômeno da globalização tem-nos afastado da nossa natureza humana, já que a tecnologia avançada e as máquinas estão tomando nosso espaço com milhões de desempregados pela "robotização", milhões sofrem pelos conflitos gerados pela rapidez de mudança dos costumes propiciada pela comunicação instantânea e a insatisfação de termos que fazer coisas impostas pela mídia importada de países economicamente mais fortes. É a insatisfação muitas vezes inconsciente gerada pela imposição da cultura alheia. Isto propicia campo ao surgimento desta nova forma de filosofia, a filosofia moderna do cotidiano.
Assim, por este e outros inúmeros motivos surgiram na França os famosos "cafés filosóficos" nos anos noventa do século passado, alastrando-se por várias partes do mundo. Nestes locais pessoas de todas as faixas etárias e das mais variadas profissões discutem os problemas cotidianos, gerando um excelente e eficaz exercício de reflexão filosófica, que muitas vezes dão origem a ações ou movimentos de cidadania. Em algumas universidades já há uma postura mais aberta em relação a filosofia, propiciando a divulgação de obras filosóficas mais acessíveis ao público leigo com divulgação do tema ao público em geral.
Portanto, ao contrario do que muitos pensam, a filosofia está presente em nosso dia-dia e é de suma importância para o exercício da cidadania, pois sem reflexão filosófica nossas atitudes podem ser direcionadas por regras impostas e sem sentido, comprometendo nossa consciência com prejuízos inclusive psíquicos. A neurose sem dúvida é um dos reflexos de nossa existência impensada. Dessa forma, a filosofia está cada vez mais viva e deve fazer parte de nosso mundo como ferramenta imprescindível para uma postura crítica perante as situações que se apresentam, aliás cada dia mais complexas e difíceis de se entender, daí porque a popularização da filosofia como ciência e modo de reflexão da vida moderna deve ser incentivada e desenvolvida por todos. Pensem nisso.
© Copyright 2001 - Dr. Antônio Silveira Ribeiro dos Santos: Juiz de direito em São Paulo. Criador do Programa Ambiental: A Última Arca de Noé
Texto para os 3ºs Anos
Filosofar é pensar por conta própria
Filosofia: doutrina e exercício da sabedoria (e não simples ciência)"KANT
Filosofar é pensar por conta própria; mas só se consegue fazer isso de um modo válido apoiando-se primeiro no pensamento dos outros, em especial dos grandes filósofos do passado. A filosofia não é apenas uma aventura; também é um trabalho, que requer esforços, leituras, ferramentas. Os primeiros passos costumam ser rebarbativos, e já desanimaram mais de um.
O que é a filosofia? Já me expliquei muitas vezes a esse respeito, e faço-o mais uma vez. A filosofia não é uma ciência, nem mesmo um conhecimento; não é um saber a mais: é uma reflexão sobre os saberes disponíveis. É por isso que não se pode aprender filosofia, dizia Kant: só se pode aprender a filosofar. Como? Filosofando por conta própria: interrogando-se sobre seu próprio pensamento, sobre o pensamento dos outros, sobre o mundo, sobre a sociedade, sobre o que a experiência nos ensina, sobre o que ela nos deixa ignorar... Encontrar no caminho as obras deste ou daquele filósofo profissional, é o que se deve desejar. Com isso pensaremos melhor, mais intensamente, mais profundamente. Iremos mais longe e mais depressa. Mas esse autor, acrescentava Kant “não deve ser considerado o modelo do juízo, mas simplesmente uma ocasião de se fazer um juízo sobre ele, até mesmo contra ele”.
Ninguém pode filosofar em nosso lugar. É evidente que a filosofia tem seus especialistas, seus profissionais, seus professores. Mas ela não é uma especialidade, nem uma profissão, nem uma disciplina universitária: ela é uma dimensão constitutiva da existência humana. Uma vez que somos dotados de vida e de razão, coloca-se para todos nós, inevitavelmente, a questão de articular uma à outra essas duas faculdades. É claro que podemos raciocinar sem filosofar (por exemplo, nas ciências), viver sem filosofar (por exemplo, na tolice ou na paixão). Mas não podemos, sem filosofar, pensar nossa vida e viver nosso pensamento: já que isso é a própria filosofia.
A biologia nunca dirá a um biólogo como se deve viver nem se se deve, nem mesmo se se deve fazer biologia. As ciências humanas nunca dirão o que a humanidade vale, nem o que elas mesmas valem. Por isso é necessário filosofar: porque é necessário refletir sobre o que sabemos, sobre o que vivemos, sobre o que queremos, e porque nenhum saber basta para empreender essa reflexão nem nos dispensa dela. A arte? A religião? A política? São grandes coisas, mas também devem ser interrogadas. Ora, a partir do momento em que as interrogamos, ou nos interrogamos sobre elas um pouco profundamente, saímos delas, pelo menos em parte: já damos um passo para dentro da filosofia. Nenhum filósofo contestará que esta, por sua vez, tenha de ser interrogada. Mas interrogar a filosofia não é sair dela, é entrar nela.
Por que caminho? Segui aqui o único que conheço de fato, o da filosofia ocidental. O que não quer dizer que não haja outros. Filosofar é viver com a razão, que é universal. Como a filosofia poderia ser reservada a alguém? Ninguém ignora que há, especialmente no Oriente, outras tradições especulativas e espirituais. Mas não dá para falar de tudo e seria ridículo, de minha parte, pretender apresentar pensamentos orientais que só conheço, na maioria, de segunda mão. Não creio que a filosofia seja exclusivamente grega e ocidental. Mas, evidentemente, como todo o mundo, estou convencido de que há no Ocidente, desde os gregos, uma imensa tradição filosófica, que é a nossa, e é para ela, é nela, que gostaria de guiar o leitor.
Viver com a razão, dizia eu. Isso indica uma direção, que é a da filosofia, mas não poderia esgotar seu conteúdo. A filosofia é questionamento radical, busca da verdade global ou última (e não, como nas ciências, desta ou daquela verdade particular), criação e utilização de conceitos (mesmo que isso também se faça em outras disciplinas), reflexividade (volta do espírito ou da razão para si mesmo: pensamento do pensamento), meditação sobre sua própria história e sobre a história da humanidade, busca da maior coerência possível, da maior racionalidade possível (é a arte da razão, por assim dizer, mas que desembocaria numa arte de viver), construção, às vezes, de sistemas, elaboração, sempre, de teses, de argumentos, de teorias... Mas também é, e talvez antes de mais nada, crítica das ilusões, dos preconceitos, das ideologias. Toda filosofia é um combate. Sua arma? A razão. Seus inimigos? A tolice, o fanatismo, o obscurantismo. Seus aliados? As ciências. Seu objeto? O todo, com o homem dentro. Ou o homem, mas no todo. Sua finalidade? A sabedoria: a felicidade, mas na verdade. Tem pano para muita manga, como se diz; ainda bem, porque os filósofos gostam de arregaçá-las!
Na prática, os objetos da filosofia são incontáveis: nada do que é humano ou verdadeiro lhe é estranho. Isso não significa que todos tenham a mesma importância. Kant, numa passagem célebre da sua Lógica, resumia o domínio da filosofia em quatro questões: Que posso saber? Que devo fazer? O que me é permitido esperar? O que é o homem? “As três primeiras questões remetem à última”, observava Kant. Mas as quatro desembocam, eu acrescentaria, numa quinta, que é sem dúvida, filosófica e humanamente, a questão principal:
Como viver? A partir do momento em que tentamos responder a essa pergunta de modo inteligente, fazemos filosofia. E, como não se pode evitar de formulá-la, é forçoso concluir que só se escapa da filosofia por tolice ou obscurantismo.
Deve-se fazer filosofia? Uma vez que fazemos essa pergunta, em todo caso, uma vez que tentamos responder a ela seriamente, já estamos fazendo filosofia. Isso não quer dizer que a filosofia se reduza à sua própria interrogação, menos ainda à sua autojustificação. Porque também fazemos filosofia, pouco ou muito, bem ou mal, quando nos interrogamos (de maneira ao mesmo tempo racional e radical) sobre o mundo, sobre a humanidade, sobre a felicidade, sobre a justiça, sobre a liberdade, sobre a morte, sobre Deus, sobre o conhecimento... E quem poderia renunciar a fazê-lo? O ser humano é um animal filosofante: só pode renunciar à filosofia renunciando a uma parte da sua humanidade.
É preciso filosofar, portanto: pensar tão longe quanto pudermos, e mais longe do que sabemos. Com que finalidade? Uma vida mais humana, mais lúcida, mais serena mais razoável, mais feliz, mais livre... É o que se chama tradicionalmente de sabedoria, que seria uma felicidade sem ilusões nem mentiras. Podemos alcançá-la? Nunca totalmente, sem dúvida. Mas isso não nos impede de tender a ela, nem de nos aproximar dela. “A filosofia”, escreve Kant, “é para o homem esforço em direção à sabedoria, esforço sempre não consumado.” Mais uma razão para empreender esse esforço sem mais tardar. Trata-se de pensar melhor para viver melhor. A filosofia é esse trabalho; a sabedoria, esse repouso.
O que é a filosofia? As respostas são tão numerosas, ou quase, quantos os filósofos. O que não impede, todavia, que elas se cruzem ou convirjam para o essencial. No que me diz respeito, tenho um fraco, desde os meus anos de estudo, pela resposta de Epicuro: “A filosofia é uma atividade que, por discursos e raciocínios, nos proporciona a vida feliz.” É definir a filosofia por seu maior êxito (a sabedoria, a beatitude), o que, mesmo que o êxito nunca seja total, é melhor do que encerrá-la em seus fracassos. A felicidade é a meta; a filosofia, o caminho. Boa viagem a todos!
In: Comte-Sponville, André. Apresentação da filosofia. São Paulo. Martins Fontes,2002. pg. 11-16
17 comentários:
Nome:Gabriela B.Mello T:300
Para mim este texto é bem direto em tentar nos explicar a maneira de filosofar,gostei do modo que Kant em seu momento celebre resumiu a filosofia em quatro questoes.
E é muito interessante como acaba o texto com a frase dizendo que a felicidade é a meta;a filosofia o caminho.
Um texto muito interresante, onde Kant retrata a filosofia, nos mostrando que a filosofia é pensar por si mesmo, mas para fazermos isto é presiso se inpirar nos filosofos do passado, Platão, por exemplo. O texto também nos mostra que questionar a filosofia é filosofar.
Aluno: Carlos Augusto Ströher (Carlitinho)
Turma: 300
Turno: Manhã
Acredito que como dizia o texto temos que pensar por conta propria mas nossas idéias estão baseadas em alguém ou em alguma coisa (Talvez filósofos ou outros meios de informação como TV), que nos influencia muito. Concordo que toda filosofia é um combate e é feita em cima de argumentos.
Aluno: Alex Achernar da Rosa Wendt
Turma: 300
Turno: Manhã
Como diz o texto, filosofar é pensar por conta própria, mas só se consegue fazer isso de um modo válido apoiando-se primeiro no pensamento dos outros, em especial dos grandes filósofos do passado.
Pensar por si mesmo é única forma de adquirir conhecimento próprio, obtendo assim suas próprias opiniões sobre os mais variados assuntos.
Aluno: Eduardo Träsel
Turma: 300
Turno: Manhã
Este texto é realmente importante porque nos mostra a importância da filosofia em nossas vidas.Mostra também que devemos filosofar para entender melhor o mundo e para nos entender melhor.Ainda conta algumas perguntas que deveríamos fazer a nós mesmos.
Com este texto pude perceber que muitas vezes estava filosofando sem me dar conta disso e isso prova como a filosofia faz parte do cotidiano de nossas vidas.
NOME:Fabiana Jacobs Tonelli
T:300
Conclui-se que filosofar é procurar, porém não achar a resposta, pois devemos respeitar a opinião dos outros. Porque queremos saber quem somos, de onde viemos, para onde vamos. Porém cada um tem sua própria resposta em que acredita ser verdade.
Trata-se de pensar melhor para viver melhor.
Nome: Bruna Feine.
Turma: 300.
Turno: manhã.
A Filosofia está presente diariamente em nossos conceitos sobre a vida, quando refletimos e nos interrogamos sobre diversos assuntos como por exemplo sobre a felicidade, a liberdade, até mesmo quem somos e o que faremos. É preciso filosofar, pensar melhor para viver melhor. Um texto realmente interessante.
Nome: Fabiana Beuren
Turma:300
Turno-manhã
Fiolsofar é pensar por conta própria não se deixar levar pelos outros; como os grandes filosofos do passado Aristotales, Platão e outros mais. é olhar para o nosso interior e nos questiornarmos oporque estamos aqui , o que devemos fazer com a nossa vida e de quem nos rodeia.quando começarmos a pensar por nós mesmos iremos nos libertar dessa sociedade injusta em que vivemos.
nome:christian de azevedo favretto
turma :300
Entendi do texto que ele fala sobre o que é o filosofar, seus conseitos e mostra o pensamento de algums filosofos mais importantes de todos os tempos.E o texto Popularizacâo da filosofia mostra a um pouco da filosofia na nossa vida.
Nome:Eduardo da Silva
Turma:300
Este texto me fez perceber que todos nós filosofamos até mesmo sem perceber e que isso é uma coisa exclusivamente nossa, que ninguem pode fazer isso por nós,assim como os grandes filósofos faziam,e que temos a capacidade de entender o que fazemos.E se nós pensarmos melhor, viveremos melhor.
filosofar é penasar com as suas próprias palavras, com o que você pensa sobre o mundo. A filosofia mostra como é o mundo por tras dos nossos olhos. Este é um texto que mostra a filosofia em nosso dia-a-dia
Kant em seu texto tenta expor a importancia de filosofar, pensar por si próprio, expõe que a filosofia consiste no homem tentar entender 4 perguntas que no final de tudo elas desenbocam na pergunta final ''Como viver?'' que pra ele é uma incognita. A filosofia mesmo mostra que você nunca respondera todas as suas perguntas, mas você tentará chegar o mais perto disso para a sua felicidade
Carlos Henrique Roschildt
turma : 300
Manhã
Pois bem...
Lendo esse texto vejo e entendo que todos nós temos muitas maneiras de filosofar,mas algumas pessoas
(para não dizer quase todas)fazem da filosofia um bicho de sete cabeça,dizem que isto não é para nós.
Usamos a Filosofia em nosso dia-a-dia para compreender o mundo de hoje e de nossos antepassados.
As pessoas que não perguntam,não interrogam,não vão ha lugar nenhum,ficam estagnados.
A felicidade é a meta; filosofia,o caminho.Temos tudo,é só querer com um pouco de vontade e dedicação.
Quando você entender que filosofar é preciso,não engulirá tudo o que as pessoas dizem mas começará questionar,perguntar,
assim a nossa vida ficará mais alegre.
Nome:Silas Alves
Turma:300
Este texto é realmente interressante porque ele nos mostra como é importante filosofar por conta própria, concordo plenamente com Kant na parte em que ele diz que ninguém pode filosofar em nosso lugar, pois as pessoas não sabem o que será melhor para a gente, cada um deve tomar suas próprias decisões e escolher um caminho a seguir.
Nome: Cláudia Franciele de Castro
Turma: 300
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